A caracterização da perda total simplifica a discussão sobre o dano e a concentra em um único ponto: quanto valia o bem no momento do sinistro. A resposta depende do critério previsto na apólice e da forma como ele foi aplicado.

Quando o critério é valor de mercado referenciado, a discussão passa pela tabela adotada, pela data de referência e pelos ajustes aplicados ao bem específico. Quando é valor determinado, passa pela verificação do valor contratado e da sua atualização. Em ambos os casos, o valor dos salvados deduzido é o segundo ponto de divergência mais frequente.

Como o cálculo é feito

Identificação do critério da apólice

Valor de mercado referenciado, valor determinado ou outro critério previsto nas condições contratadas.

Apuração do valor na data do sinistro

Aplicação do critério com a referência e a data corretas, e não a data da regulação ou do pagamento.

Ajustes específicos do bem

Estado de conservação, acessórios, quilometragem ou uso, quando o critério admitir ajuste sobre a referência.

Cálculo da depreciação

Quando aplicável, com método e vida útil declarados e aplicados uniformemente a bens de mesma natureza.

Avaliação dos salvados

Determinação do valor dos salvados com critério declarado, e verificação de eventual alienação e do valor obtido.

Apuração do devido

Valor do bem menos franquia e salvados, conforme a sequência da apólice, confrontado com o pago.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Data de referência trocada

O valor é o da data do sinistro. Usar a data da regulação ou do pagamento distorce o resultado, especialmente em bens com desvalorização acelerada.

Salvados avaliados sem critério

Valor atribuído sem fundamento reduz a indenização e é o ponto mais frequente de divergência nesta modalidade.

Ajustes do bem específico ignorados

Estado de conservação e acessórios afetam o valor e são previstos em muitos critérios. Omiti-los subestima o bem.

Depreciação aplicada sobre critério que já a considera

Quando a referência de mercado já reflete a desvalorização, aplicar depreciação adicional é dupla redução.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

A seguradora usou tabela de referência. Isso é conferível?+

É inteiramente conferível: a tabela adotada, a data de referência, o código do bem e os ajustes aplicados. Divergências nessa apuração são objetivas e não dependem de tese, o que as torna especialmente eficazes na discussão.

Quem fica com os salvados afeta o cálculo?+

Afeta diretamente. Se os salvados permanecem com o segurado, o seu valor é deduzido da indenização; se ficam com a seguradora, não. O critério de avaliação, quando há dedução, precisa ser declarado e é frequentemente o ponto controvertido.

Bem com acessórios instalados é considerado?+

Deve ser, quando o critério da apólice admite ajustes e há comprovação da instalação anterior ao sinistro. É um dos itens mais frequentemente omitidos na apuração da seguradora.