Entre o prejuízo alegado e a indenização paga existe uma sequência de operações: verificação do limite da cobertura, aplicação de franquia ou participação obrigatória, eventual rateio por subseguro e deduções de salvados. A ordem em que essas operações são aplicadas altera o resultado.

É frequente que a divergência entre segurado e seguradora não esteja no valor do prejuízo, mas nessa sequência — na base sobre a qual a franquia incide, no critério de rateio, no valor atribuído aos salvados. Reconstruir o cálculo passo a passo torna a divergência visível e discutível de forma objetiva.

Como o cálculo é feito

Leitura das condições da apólice

Cobertura contratada, limites, franquias, participações obrigatórias, cláusulas de rateio e exclusões aplicáveis.

Quantificação do prejuízo

Apuração do dano efetivo a partir da documentação, no critério previsto — valor de novo, valor atual ou de reposição.

Verificação de subseguro

Comparação entre o valor em risco e a importância segurada, para identificar aplicação de rateio proporcional.

Aplicação da franquia

Incidência da franquia sobre a base correta e no momento correto da sequência, conforme as condições.

Dedução de salvados e recuperações

Abatimento do valor dos salvados e de recuperações obtidas, com o critério de avaliação declarado.

Confronto com o pago

Comparação entre o devido apurado e o efetivamente indenizado, com a diferença isolada e atualizada.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Franquia aplicada sobre base incorreta

Incidir a franquia antes ou depois do rateio produz resultados diferentes. A sequência prevista na apólice precisa ser seguida.

Rateio aplicado sem verificar o valor em risco

O rateio depende da relação entre o valor em risco e a importância segurada na data do sinistro, e essa apuração precisa ser demonstrada.

Salvados deduzidos por valor não justificado

O valor atribuído aos salvados reduz diretamente a indenização e precisa ter critério de avaliação declarado.

Critério de valoração do prejuízo trocado

Valor de novo, valor atual e valor de reposição produzem resultados distintos. A apólice define qual se aplica.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

A franquia incide antes ou depois do rateio?+

Depende das condições da apólice, e a diferença entre as duas ordens é relevante. O laudo identifica o que a apólice prevê e, quando a redação é ambígua, apresenta o cálculo nas duas sequências com a diferença explícita.

Como se apura o subseguro?+

Comparando o valor em risco na data do sinistro com a importância segurada contratada. A apuração do valor em risco é o ponto controvertido, e por isso o critério adotado é sempre declarado e fundamentado.

Vocês analisam o laudo do regulador?+

Sim, e é um trabalho frequente. Reconstruímos o cálculo do regulador, identificamos as premissas adotadas e demonstramos o efeito de cada uma — o que permite contestar pontos específicos em vez de discordar do conjunto.