A cobertura de lucros cessantes tem uma particularidade que a distingue do lucro cessante do direito comum: a apólice define um período indenitário máximo, e a indenização se limita a ele, ainda que a interrupção tenha durado mais.

Além disso, a maioria das apólices cobre a margem de contribuição acrescida dos custos fixos que continuaram correndo durante a paralisação — critério distinto do lucro líquido. Aplicar a metodologia do direito comum a uma cobertura securitária produz valor que a apólice não sustenta.

Como o cálculo é feito

Leitura das condições da cobertura

Definição do que a apólice cobre, do período indenitário e do critério de apuração previsto nas condições.

Delimitação do período

Início e fim da interrupção, confrontados com o período indenitário máximo da apólice.

Reconstrução do faturamento de referência

Série histórica anterior ao sinistro, em janela que trate a sazonalidade da atividade.

Apuração da margem coberta

Cálculo conforme o critério da apólice — margem de contribuição, com identificação dos custos que cessaram e dos que se mantiveram.

Tratamento das despesas adicionais

Gastos incorridos para reduzir a paralisação, quando cobertos, apurados e apresentados separadamente.

Dedução de receitas obtidas

Faturamento realizado durante o período por operação parcial ou alternativa, abatido do valor apurado.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Período de parada usado em lugar do indenitário

A indenização se limita ao período previsto na apólice. Calcular pelo tempo real produz valor que será reduzido.

Lucro líquido usado em lugar da margem coberta

A maioria das apólices cobre margem de contribuição mais custos fixos mantidos, critério distinto do lucro líquido.

Custos que cessaram não deduzidos

Despesas variáveis que deixaram de existir durante a parada precisam sair do cálculo.

Operação parcial não abatida

Receita obtida durante o período por qualquer via reduz o prejuízo e precisa ser deduzida.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

O período indenitário limita mesmo a indenização?+

Limita, nos termos das condições contratadas. É por isso que a leitura da apólice precede o cálculo: apurar pela duração real da parada, quando ela excede o período indenitário, produz um valor que não será acolhido e enfraquece o pedido.

Qual a diferença entre margem de contribuição e lucro líquido?+

A margem de contribuição é a receita menos os custos variáveis, sem deduzir os custos fixos. Como estes continuam correndo durante a parada, a maioria das apólices os cobre — e por isso o critério é a margem, não o lucro líquido.

Despesas para acelerar a retomada são cobertas?+

Depende das condições. Quando há cobertura de despesas adicionais, elas são apuradas e apresentadas em quadro próprio, com a demonstração de que reduziram efetivamente o período de paralisação.