Diferenças salariais — por equiparação, por desvio de função, por reajuste não aplicado, por adicional suprimido — raramente se esgotam no principal. Elas se projetam sobre todas as parcelas cuja base é a remuneração, e essa projeção costuma superar o próprio principal em contratos longos.

O ponto técnico é a ordem. Repouso semanal remunerado integra a base de férias e de décimo terceiro; férias e décimo terceiro integram a base do FGTS; algumas parcelas já integradas não podem voltar a compor a base de outras. Uma sequência errada gera duplicidade que a defesa demonstra em uma linha.

Como o cálculo é feito

Apuração da diferença mensal

Confronto entre a remuneração devida e a efetivamente paga, competência a competência, com o fundamento da diferença declarado.

Definição da natureza da parcela

Salarial ou indenizatória, habitual ou eventual. A natureza define quais reflexos incidem e é premissa que precisa constar do laudo.

Reflexo em repouso semanal

Aplicação sobre o repouso quando a parcela é variável e habitual, com o divisor correspondente ao mês de cada competência.

Reflexo em férias e décimo terceiro

Projeção sobre as parcelas anuais, incluindo o terço constitucional, respeitando o período aquisitivo de cada uma.

Reflexo em FGTS

Incidência sobre o principal e sobre os reflexos que integram a base, com a multa rescisória quando aplicável à modalidade.

Reflexo em rescisão

Recomposição das verbas rescisórias com a base corrigida, apurando a diferença em relação ao TRCT.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Reflexo sobre reflexo

Projetar o repouso já integrado novamente sobre férias e décimo terceiro duplica a rubrica. É o erro mais explorado na impugnação de cálculos trabalhistas.

Natureza da parcela não declarada

Sem definir se a verba é salarial e habitual, não há como justificar quais reflexos incidem — e a rubrica inteira fica exposta.

Período aquisitivo ignorado nas parcelas anuais

Férias e décimo terceiro seguem períodos próprios. Projetar por média anual simples distorce o resultado em contratos com variação de remuneração.

Prescrição não aplicada à série

Diferenças anteriores ao marco prescricional precisam ser isoladas, e não simplesmente somadas ao total.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Como se evita o reflexo em cascata indevido?+

Declarando a ordem de cálculo no laudo e aplicando um teste explícito de duplicidade ao final: cada base é verificada para confirmar que nenhuma parcela já integrada voltou a compor outra. A sequência fica visível para a parte contrária, o que é preferível a deixá-la implícita.

A diferença é por equiparação salarial. Muda o cálculo?+

Muda a origem da diferença, não a metodologia dos reflexos. Apuramos a diferença mensal em relação à remuneração do paradigma e projetamos sobre as mesmas parcelas, com atenção às alterações de remuneração do paradigma ao longo do período.

Vocês aplicam a prescrição no cálculo?+

Aplicamos o marco que o advogado indicar, apresentando também o total sem o corte, em quadro separado. Assim a informação fica completa e a decisão sobre o pedido permanece com quem conduz o processo.