A partilha depende de três etapas encadeadas, e a fragilidade costuma estar na primeira. Levantar o patrimônio é mais difícil do que avaliá-lo: bens não declarados, participações societárias, aplicações, direitos creditórios e dívidas frequentemente ficam fora do inventário inicial.

Feito o levantamento, a avaliação precisa ser na mesma data-base para todos os bens — avaliar imóveis em uma data e participações em outra produz uma divisão desequilibrada por construção. A terceira etapa, a equalização, é onde a técnica encontra a negociação: propor formas de divisão que respeitem as frações e a natureza dos bens.

Como o cálculo é feito

Levantamento do patrimônio

Inventário completo de bens, direitos e dívidas, a partir de documentação e de rastreamento quando necessário.

Definição da data-base

Data única de avaliação para todo o acervo, fixada conforme a natureza da partilha.

Avaliação por natureza de bem

Cada bem avaliado pelo método adequado: imóveis por comparação, participações por avaliação de empresa, aplicações pelo valor na data.

Tratamento das dívidas

Levantamento do passivo a partilhar, com a verificação da sua natureza e da responsabilidade por cada obrigação.

Apuração dos quinhões

Cálculo do valor devido a cada parte conforme a fração aplicável ao caso.

Propostas de equalização

Formulação de composições de divisão que respeitem os quinhões, com a diferença a compensar em cada uma.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Datas-base distintas entre bens

Avaliar bens em datas diferentes desequilibra a partilha por construção, mesmo com cada avaliação individualmente correta.

Passivo não inventariado

Partilhar apenas o ativo distorce os quinhões. Dívidas e obrigações integram o acervo a dividir.

Participações societárias avaliadas por valor contábil

Quotas registradas pelo capital social raramente correspondem ao valor real. Exigem avaliação própria.

Bens de difícil divisão sem proposta de equalização

Apresentar valores sem propor composição de divisão deixa o trabalho incompleto para a finalidade.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Há suspeita de bens não declarados. Vocês investigam?+

Fazemos rastreamento a partir da documentação disponível — movimentação bancária, declarações fiscais, registros societários — e identificamos indícios de patrimônio não inventariado, delimitando até onde a documentação permite ir. Diligências que dependem de ordem judicial são requeridas pelo advogado.

Participação em empresa como se avalia na partilha?+

Por avaliação de empresa, com método adequado ao tipo de sociedade, e não pelo capital social registrado. É frequentemente o item de maior valor e o mais subestimado quando tratado pelo valor contábil.

Vocês propõem como dividir?+

Propomos composições possíveis que respeitem os quinhões apurados, com a diferença a compensar em cada uma. A decisão é das partes; o que entregamos são alternativas quantificadas, que costumam destravar a negociação.