A quantificação de danos construtivos tem dois componentes que se somam. O primeiro é o custo de restituir o imóvel ao estado devido — orçamento de serviços, materiais e mão de obra. O segundo, menos considerado, é a perda de valor que permanece mesmo após o reparo.

O segundo componente é relevante em danos estruturais, em problemas com histórico documentado e em situações em que o reparo é visível. O mercado precifica esses fatores, e a sua omissão subestima o prejuízo — mas a sua inclusão exige demonstração, não afirmação.

Como o cálculo é feito

Delimitação a partir do laudo técnico

Identificação dos danos caracterizados por engenharia, com a sua extensão e a solução técnica indicada.

Orçamento com composição

Detalhamento dos serviços necessários, com quantitativos, materiais, mão de obra e referências de preço citadas.

Verificação de mais de um orçamento

Comparação entre propostas para aferir a razoabilidade, com o critério de escolha declarado.

Apuração de despesas acessórias

Custos de desocupação temporária, mudança, guarda de bens e outros decorrentes da execução do reparo.

Análise da desvalorização remanescente

Quando aplicável, medida da perda de valor que persiste após o reparo, com fundamentação de mercado.

Consolidação por rubrica

Custo de reparo, despesas acessórias e desvalorização residual em quadros distintos.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Orçamento em valor global

Sem composição de quantitativos e preços, o orçamento não pode ser conferido e é facilmente contestado.

Orçamento único

Uma proposta isolada não demonstra razoabilidade. A comparação entre propostas é o que sustenta o valor adotado.

Desvalorização afirmada sem demonstração

A perda residual precisa de fundamentação de mercado. Afirmá-la por percentual arbitrado enfraquece a rubrica.

Despesas acessórias omitidas

Desocupação, mudança e guarda de bens são custos reais do reparo e frequentemente esquecidos.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Vocês caracterizam tecnicamente o dano?+

Não. A caracterização e a indicação da solução técnica são atribuição de engenheiro. Nosso trabalho parte do laudo técnico e quantifica: custo de reparo, despesas acessórias e desvalorização residual.

Quando existe desvalorização mesmo após o reparo?+

Tipicamente em danos estruturais, em problemas com histórico documentado publicamente e em situações em que a intervenção permanece visível. A rubrica exige fundamentação de mercado e, sem ela, é preferível não a incluir.

Um único orçamento é suficiente?+

É frágil. A comparação entre propostas demonstra a razoabilidade do valor adotado e antecipa a contestação. Quando só há uma proposta, o laudo registra a limitação e a confronta com referências de preço de mercado.