O cartão de crédito é a operação em que o efeito composto se manifesta com mais velocidade. Uma fatura paga parcialmente gera saldo rotativo; o rotativo é incorporado à fatura seguinte; sobre esse novo total incidem novos encargos. Em poucos meses, o valor cobrado perde qualquer relação visível com a compra original.
Por isso a análise precisa ser longitudinal. Reconstruímos a série completa de faturas, isolando em cada uma o que é compra, o que é encargo, o que é tarifa e o que é saldo transportado — e o resultado costuma mostrar que a maior parte da dívida não tem origem em consumo.
Como o cálculo é feito
Montagem da série histórica de faturas
Todas as faturas do período, em ordem, com abertura de cada componente. Uma fatura isolada não permite conclusão.
Separação por natureza
Compras à vista, compras parceladas, saques, saldo rotativo, encargos, tarifas, seguros e tributos são segregados em cada competência.
Rastreamento do saldo transportado
Identificamos quanto de cada fatura decorre de saldo anterior e quanto de consumo novo. É essa distinção que mostra a formação da dívida.
Recálculo dos encargos
Aplicamos as taxas informadas em cada fatura sobre a base correta e comparamos com o cobrado, competência a competência.
Análise do parcelamento de fatura
Quando houve parcelamento, verificamos o saldo que o originou, a taxa aplicada e se o parcelamento incorporou encargos já cobrados.
Apuração do devido
Reconstruímos qual seria o saldo com os encargos corretamente aplicados e comparamos com o exigido.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Análise de uma única fatura
Sem a série, não há como identificar a origem do saldo nem demonstrar o encadeamento. É a limitação mais comum e a mais fácil de corrigir.
Encargo aplicado sobre a fatura cheia
A base do rotativo é o saldo não pago, não o total da fatura. Aplicar sobre o total infla a cobrança de forma relevante.
Compra parcelada somada ao rotativo
Parcelas futuras de compras parceladas têm tratamento próprio e não compõem a base do rotativo. Misturá-las duplica encargos.
Tarifas e seguros não segregados
Anuidades, seguros e serviços agregados precisam ser isolados para que se saiba quanto da dívida decorre deles.
Documentos que sustentam o trabalho
- Faturas completas de todo o período discutido, preferencialmente em sequência ininterrupta
- Contrato de emissão do cartão e regulamento aplicável
- Comprovantes de pagamento de cada fatura, com data e valor
- Documentos de parcelamento ou renegociação de saldo devedor
- Comunicações sobre alteração de taxas ou de tarifas
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Série reconstruída de faturas — cada competência com os componentes abertos
- Rastreamento da formação da dívida — quanto é consumo e quanto é encargo acumulado
- Recálculo dos encargos — sobre a base correta, com a diferença apurada
- Parecer técnico — divergências identificadas e quantificadas, com fundamentação
Perguntas frequentes
Faltam algumas faturas do período. Ainda é possível analisar?+
É possível, com a lacuna registrada. Reconstruímos o trecho documentado e indicamos qual o efeito da ausência sobre a conclusão. Em geral, o cálculo parcial já instrui pedido de exibição das faturas faltantes.
A dívida ficou muito maior que as compras. Isso por si só indica abusividade?+
Não por si só — indica efeito composto, que pode ser regular ou não. O que a análise faz é demonstrar quanto do saldo decorre de encargos e se as taxas aplicadas correspondem às informadas, que é o dado objetivo da discussão.
Serve para cartão consignado e cartão de benefício?+
Serve, com atenção às regras próprias dessas modalidades, especialmente quanto ao desconto em folha e à reserva de margem, que exigem análise adicional.