Plataformas retêm valores por diversas razões — reserva para disputas, verificação de conta, garantia de operação, suspeita de irregularidade. A retenção pode ser legítima, mas em qualquer hipótese ela imobiliza capital de giro do vendedor, e o efeito disso é mensurável.

A análise responde a três perguntas: quanto foi retido, por quanto tempo, e o valor retornou. As três parecem simples e raramente são, porque os relatórios apresentam saldo agregado sem separar o disponível do retido, e sem indicar a data em que cada retenção começou.

Como o cálculo é feito

Reconstrução do saldo por data

Composição do saldo na plataforma em cada data, separando disponível, a liberar e retido.

Identificação de cada retenção

Data de início, valor, motivo informado e vinculação ao pedido ou ao evento que a originou.

Apuração do prazo de retenção

Tempo entre a retenção e a liberação de cada valor, ou a constatação de que não houve liberação.

Confronto com o prazo contratado

Comparação entre o prazo efetivo de repasse e o previsto nos termos aplicáveis a cada modalidade.

Verificação de retorno

Rastreamento de cada valor retido até a sua liberação e o correspondente crédito bancário.

Quantificação do efeito

Valor imobilizado por período, com o custo financeiro do capital retido, quando cabível ao pedido.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Saldo tratado como valor único

Sem separar disponível, a liberar e retido, não é possível identificar o que está efetivamente imobilizado.

Prazo de repasse não confrontado com o contratado

Atraso sistemático em relação ao prazo previsto é achado objetivo e só aparece na comparação por pedido.

Liberações não rastreadas até o crédito

Valor liberado na plataforma e não creditado em conta é achado relevante e passa despercebido sem o rastreamento completo.

Efeito financeiro não quantificado

Apontar a retenção sem medir o capital imobilizado e o seu custo não instrui pedido de indenização.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Como se demonstra o prejuízo de uma retenção?+

Quantificando o valor imobilizado em cada período e o custo do capital que o vendedor precisou substituir — por crédito bancário ou antecipação de recebíveis. É essa medida, e não a retenção em si, que fundamenta o pedido indenizatório.

Valores retidos e nunca liberados são comuns?+

Ocorrem, especialmente em contas encerradas ou suspensas. O rastreamento de cada retenção até a liberação e o crédito bancário é justamente o que identifica os valores que ficaram pelo caminho.

A plataforma pode reter por prazo indeterminado?+

A questão é contratual e jurídica. Tecnicamente, apuramos o prazo previsto nos termos aplicáveis, o prazo efetivamente praticado e a diferença entre os dois — que é o dado objetivo da discussão.