Uma venda em marketplace não gera um recebimento: gera um pedido que, semanas depois, se transforma em uma linha dentro de um repasse agregado, já líquido de comissão, tarifa, frete, publicidade, antecipação e eventuais estornos. O vendedor vê o total creditado; raramente vê a composição.
A conciliação reconstrói esse caminho no sentido inverso. Cada crédito bancário é decomposto no repasse que o originou, cada repasse é aberto nos pedidos que o compõem, e cada pedido é confrontado com os descontos que sofreu. É trabalhoso e é a única forma de identificar diferença — que, em operações de volume, costuma existir e ser relevante.
Como o cálculo é feito
Levantamento das três bases
Relatório de vendas, relatório financeiro de repasses e extrato bancário do período, obtidos integralmente.
Pareamento de crédito e repasse
Cada crédito bancário vinculado ao repasse correspondente, verificando se todos os repasses anunciados foram efetivamente creditados.
Abertura do repasse por pedido
Decomposição de cada repasse nos pedidos que o compõem, com todos os lançamentos associados a cada um.
Reconstrução do resultado por pedido
Valor da venda menos cada desconto identificado, apurando o líquido esperado de cada pedido.
Confronto com o repassado
Comparação entre o líquido esperado e o efetivamente creditado, pedido a pedido.
Isolamento das diferenças
Separação das divergências por natureza — comissão, frete, tarifa, estorno, publicidade — com o valor de cada uma.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Conciliação por total do período
Totais compensam diferenças entre pedidos e escondem exatamente o que se procura. A conciliação precisa ser por pedido.
Repasse tratado como receita
O valor creditado é líquido. Registrá-lo como receita subestima o faturamento e distorce toda a apuração fiscal e gerencial.
Pedidos de períodos anteriores não rastreados
Repasses contêm pedidos de datas variadas e ajustes retroativos. O corte por período precisa seguir o pedido, não o crédito.
Estornos e ajustes não vinculados ao pedido de origem
Sem a vinculação, o resultado por pedido fica incompleto e a diferença aparece sem causa identificável.
Documentos que sustentam o trabalho
- Relatório completo de vendas do período, por pedido
- Relatório financeiro de repasses, com abertura de todos os lançamentos
- Extratos bancários da conta que recebe os repasses
- Notas fiscais emitidas
- Contrato e tabela de comissões vigente em cada período
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Conciliação por pedido — venda, descontos e líquido esperado contra o efetivamente creditado
- Pareamento repasse-banco — verificação de que todo repasse anunciado foi creditado
- Quadro de diferenças por natureza — comissão, frete, tarifa, estorno e publicidade separados
- Resultado real por pedido — margem efetiva após todos os descontos
Perguntas frequentes
Por que conciliar por pedido e não pelo total?+
Porque diferenças em pedidos distintos se compensam no agregado. Uma comissão cobrada a maior em um pedido pode ser anulada, no total, por um frete cobrado a menor em outro — e nenhuma das duas aparece. A conciliação por pedido é o que revela ambas.
Os relatórios da plataforma são suficientes?+
São o ponto de partida, mas precisam ser confrontados com o extrato bancário. Repasse anunciado e não creditado, e crédito sem repasse correspondente, são achados que só aparecem nesse confronto.
Serve para operações com muitos pedidos?+
Serve, e é onde mais se justifica. Volumes altos são tratados por processamento estruturado dos relatórios, o que permite conciliar dezenas de milhares de pedidos com rastreabilidade individual.