Comissão e frete se vinculam claramente a um pedido. Publicidade, chargeback e estorno, não: aparecem no relatório financeiro como lançamentos que podem se referir a pedidos antigos, a campanhas agregadas ou a eventos posteriores à venda. Essa desvinculação é o que torna a conferência difícil e a duplicidade possível.
O trabalho consiste em reconstruir o vínculo. Cada estorno precisa apontar para o pedido que o originou; cada chargeback, para a transação contestada; cada desconto de publicidade, para a campanha e o período correspondentes. Lançamentos que não reconduzem a nada são isolados — e é nesse grupo que os achados se concentram.
Como o cálculo é feito
Extração dos lançamentos não vinculados
Separação, no relatório financeiro, de todos os lançamentos que não se referem diretamente a uma venda.
Reconstrução do vínculo dos estornos
Cada estorno é rastreado até o pedido de origem, com verificação de que o valor estornado corresponde ao originalmente creditado.
Análise dos chargebacks
Verificação da existência da transação contestada, do valor e de eventual devolução posterior do valor à conta.
Conferência dos descontos de publicidade
Confronto entre o cobrado e as campanhas efetivamente veiculadas, com o período e o investimento autorizado.
Teste de duplicidade
Verificação de que o mesmo evento não gerou mais de um lançamento de desconto.
Isolamento dos não reconduzíveis
Lançamentos que não apontam para nenhum evento identificável, separados em quadro próprio com o valor total.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Lançamentos agregados aceitos sem abertura
Um desconto de publicidade em valor único, sem detalhamento por campanha, não pode ser conferido. A abertura precisa ser solicitada.
Estorno não confrontado com o crédito original
Estorno de valor superior ao originalmente creditado é achado objetivo e só aparece no confronto.
Chargeback revertido não verificado
Quando a contestação é resolvida a favor do vendedor, o valor deve retornar. A ausência do retorno é frequentemente não percebida.
Duplicidade entre estorno e chargeback
O mesmo evento tratado pelas duas vias gera desconto em duplicidade, e a verificação exige cruzamento específico.
Documentos que sustentam o trabalho
- Relatório financeiro completo, com todos os lançamentos do período
- Relatório de vendas, para rastreamento dos pedidos de origem
- Relatórios de campanhas de publicidade, com período e investimento
- Comunicações sobre contestações e disputas
- Extratos bancários, para verificação dos créditos e débitos efetivos
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Rastreamento dos estornos — cada um vinculado ao pedido e ao crédito de origem
- Análise de chargebacks — com verificação de reversões não creditadas
- Conferência de publicidade — cobrado contra campanhas efetivamente veiculadas
- Quadro de não reconduzíveis — lançamentos sem origem identificável, com o valor total
Perguntas frequentes
O que fazer com lançamentos sem identificação de origem?+
Isolá-los em quadro próprio, com o valor total, e solicitar à plataforma o detalhamento. Um volume relevante de lançamentos não reconduzíveis é, por si, um achado — e costuma ser o fundamento do pedido de exibição de dados detalhados.
Chargeback resolvido a favor do vendedor sempre retorna?+
Deveria retornar, e a verificação é objetiva: basta confrontar as contestações resolvidas favoravelmente com os créditos posteriores. A ausência de retorno é um achado frequente porque quase ninguém confere essa etapa.
Publicidade cobrada acima do autorizado é comum?+
Ocorre, especialmente em modalidades de veiculação automática. A conferência confronta o descontado com o investimento efetivamente autorizado e com as campanhas veiculadas no período, o que exige o relatório detalhado de campanhas.