Boa parte das disputas patrimoniais envolve empresas sem escrituração regular, com escrituração interrompida ou com registros que não refletem a movimentação real. A ausência de contabilidade não impede a prova: ela desloca o trabalho para a documentação primária.

A reconstrução parte do que existe — extratos bancários, notas fiscais, contratos, recibos, controles internos — e monta a movimentação do período em ordem cronológica, com cada lançamento apontando para o seu documento. O que não tem lastro não é preenchido por estimativa: fica registrado como não reconstruível, e essa delimitação é parte do resultado.

Como o cálculo é feito

Inventário da documentação disponível

Levantamento do que existe, por período e por natureza, com identificação das lacunas antes de qualquer lançamento.

Processamento dos extratos bancários

A movimentação bancária é a espinha dorsal da reconstrução: toda entrada e saída é classificada e datada.

Classificação por natureza

Cada movimento é vinculado à sua origem — receita, despesa, aporte, retirada, transferência entre contas próprias, empréstimo.

Amarração documental

Notas fiscais, contratos e recibos são vinculados aos movimentos correspondentes, formando o rastro de conferência.

Identificação do não amarrado

Movimentos sem documento e documentos sem movimento correspondente são isolados em quadros próprios.

Montagem das demonstrações

Com a movimentação classificada, constrói-se a posição patrimonial e o resultado do período, com as limitações declaradas.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Lacuna preenchida por estimativa

Estimar o que falta transforma reconstrução em ficção e compromete todo o trabalho. A lacuna precisa aparecer como lacuna.

Transferência entre contas próprias tratada como receita

Movimentação entre contas da mesma titularidade infla receita e despesa simultaneamente. É o erro mais comum em reconstrução por extrato.

Classificação sem documento de suporte

Atribuir natureza a um movimento sem documento é presunção. Quando necessária, precisa estar identificada como tal.

Contas e meios de pagamento não mapeados integralmente

Reconstrução parcial, feita sobre parte das contas, produz posição que não corresponde à realidade e é facilmente desmontada.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

É possível reconstruir sem nenhuma contabilidade?+

É, desde que exista documentação primária — sobretudo extratos bancários completos. A reconstrução por extrato é o método mais utilizado, e a sua qualidade depende diretamente da integralidade das contas mapeadas.

O resultado tem o mesmo valor de uma contabilidade regular?+

Tem natureza diferente e precisa ser apresentado como tal: é uma reconstrução técnica com base documental, com as limitações declaradas. Justamente por declarar limites, costuma ser mais defensável do que uma escrituração formalmente regular sem lastro.

Quanto tempo leva?+

Depende do volume de movimentação e do número de contas. Um período de cinco anos com movimentação intensa envolve dezenas de milhares de lançamentos. O prazo é informado após o inventário documental inicial.