Livros contábeis têm valor probatório condicionado à sua regularidade. Antes de extrair conclusões do que registram, a perícia verifica se eles são íntegros: se a escrituração é sequencial, se os lançamentos fecham entre si, se não há intervenções posteriores ao encerramento.
Essa verificação é objetiva e produz um resultado binário útil ao processo. Livros íntegros reforçam tudo o que registram; livros com quebra de integridade têm o seu valor probatório afetado no ponto exato em que a quebra ocorre — e identificar esse ponto costuma ser mais relevante que discutir o conteúdo.
Como o cálculo é feito
Verificação da regularidade formal
Existência dos livros obrigatórios, autenticação, sequência e encerramento de cada exercício.
Teste de sequência dos lançamentos
Verificação da numeração e da cronologia, com identificação de saltos, repetições e registros fora de ordem.
Amarração entre livros
Confronto entre diário, razão e balancetes, para verificar se os saldos e os movimentos correspondem entre si.
Análise da escrituração digital
Exame dos arquivos da ECD quanto à consistência interna, à assinatura e à data de transmissão.
Identificação de intervenções
Verificação de indícios de lançamento posterior ao encerramento ou de alteração de registro já escriturado.
Delimitação do alcance
Quando há quebra de integridade, identificação precisa do período e das contas afetadas, preservando o restante.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Conteúdo analisado sem verificar integridade
Conclusões extraídas de registros sem integridade são frágeis. A verificação precede a análise de mérito.
Amarração entre livros não testada
Diário e razão que não fecham indicam lançamento não escriturado. É verificação rápida e frequentemente reveladora.
Quebra de integridade generalizada indevidamente
Um problema localizado não invalida todo o conjunto. O laudo precisa delimitar exatamente o alcance da inconsistência.
Escrituração digital não examinada nos metadados
Datas de transmissão e de assinatura trazem informação que o conteúdo não mostra e que é relevante para a cronologia.
Documentos que sustentam o trabalho
- Livro diário e livro razão de todos os exercícios analisados
- Balancetes de verificação mensais
- Arquivos da escrituração contábil digital — ECD, com recibos de transmissão
- Livro de registro de inventário e livros fiscais
- Termos de abertura e de encerramento de cada livro
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Parecer de integridade — regularidade formal e consistência, com o alcance de cada achado
- Relatório de sequência — saltos, repetições e registros fora de ordem, identificados
- Teste de amarração — diário, razão e balancetes confrontados, com as divergências apontadas
- Delimitação de alcance — quando há inconsistência, o período e as contas efetivamente afetados
Perguntas frequentes
Livros irregulares perdem todo o valor probatório?+
Não necessariamente, e essa é uma distinção importante. A perícia delimita o alcance: uma inconsistência localizada em um período ou em um grupo de contas não contamina automaticamente o restante. Generalizar enfraquece o laudo.
A escrituração digital pode ser verificada tecnicamente?+
Pode, e com mais precisão que a escrituração em papel. Os arquivos trazem informação de assinatura, de transmissão e de estrutura que permite verificar consistência e cronologia de forma objetiva.
Vocês pedem exibição de livros?+
Não pedimos — o requerimento é do advogado. O que fazemos é indicar com precisão quais livros e quais períodos são necessários para a análise pretendida, o que torna o requerimento específico e mais difícil de recusar.