Um contrato estabelece obrigações mensuráveis: valor, prazo, forma de reajuste, condições de pagamento, penalidades. O registro contábil e a movimentação financeira mostram o que de fato aconteceu. Entre um e outro há, com frequência, uma distância que ninguém mediu.

A auditoria de contratos consiste exatamente nessa medição. Cada cláusula com efeito financeiro é traduzida no valor que deveria ter sido praticado em cada período, e esse valor é confrontado com o registro e com o pagamento efetivo.

Como o cálculo é feito

Extração das cláusulas com efeito financeiro

Valor, periodicidade, índice de reajuste, data-base, condições de pagamento, multas e descontos previstos.

Construção da série devida

Cálculo do valor que deveria ter sido cobrado ou pago em cada competência, conforme o contrato e os seus aditivos.

Confronto com o registrado

Comparação com os lançamentos contábeis correspondentes, competência a competência.

Confronto com o efetivamente pago

Verificação da movimentação financeira, para identificar diferenças entre o registrado e o liquidado.

Verificação de reajustes

Conferência da aplicação do índice, da data-base e da periodicidade de cada reajuste ao longo da vigência.

Quantificação das divergências

Apuração do valor de cada diferença, com atualização a partir da competência correspondente.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Aditivos não incorporados à série

Alterações contratuais mudam a série devida a partir da sua vigência. Ignorá-las produz divergência aparente que não existe.

Reajuste conferido apenas no total

O reajuste tem data-base e periodicidade próprias. A conferência precisa ser por evento, não pelo acumulado.

Registro e pagamento tratados como a mesma coisa

A diferença entre o que foi registrado e o que foi efetivamente liquidado é achado relevante e só aparece no confronto duplo.

Amostragem sem critério declarado

Quando o volume exige amostragem, o critério precisa constar do laudo. Amostra sem método não sustenta conclusão sobre o todo.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

É possível auditar muitos contratos ao mesmo tempo?+

É, com processamento estruturado. Quando o volume é alto, extraímos os parâmetros financeiros de cada contrato e a conferência passa a ser sistemática, com amostragem estatística nos pontos em que a verificação individual não se justifica — e o critério fica declarado.

O confronto serve para cobrança e para defesa?+

Serve para os dois, porque a metodologia é a mesma: medir a distância entre o contratado e o praticado. O resultado favorece quem tem razão, e é por isso que o trabalho começa sem hipótese definida.

Reajustes aplicados a menor podem ser recuperados?+

Tecnicamente são apuráveis e quantificáveis, com atualização a partir de cada competência. O cabimento e o prazo da cobrança são matéria jurídica; a memória de cálculo fica pronta para instruí-la.