A movimentação bancária tem uma qualidade probatória que a escrituração não tem: é produzida por terceiro, em tempo real, e não pode ser refeita depois. Por isso a conciliação entre extrato e registro contábil é um dos testes mais objetivos da perícia contábil.
As divergências que ela revela têm sempre uma de duas naturezas: movimento que ocorreu e não foi registrado, ou registro que existe sem movimento correspondente. Cada uma aponta para um tipo distinto de problema, e a separação entre elas costuma ser o resultado mais útil do trabalho.
Como o cálculo é feito
Mapeamento das contas
Identificação de todas as contas bancárias e meios de pagamento vinculados ao período e à titularidade analisada.
Processamento dos extratos
Digitalização e normalização de toda a movimentação, com data, valor, histórico e contraparte quando disponível.
Confronto com a escrituração
Cada movimento é confrontado com o lançamento contábil correspondente, e cada lançamento com o seu movimento.
Isolamento das divergências
Separação em duas categorias: movimento sem registro e registro sem movimento, cada uma com o valor e a data.
Análise das divergências
Investigação da natureza de cada divergência relevante, com identificação de padrões — recorrência, contraparte, faixa de valor.
Quantificação por período
Consolidação do valor das divergências por mês e por exercício, com o efeito sobre o resultado apurado.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Conciliação apenas de saldos
Saldos podem coincidir com divergências compensadas entre si. A conciliação precisa ser por movimento, não por posição.
Contas não mapeadas integralmente
Uma conta fora do escopo invalida a conclusão. O mapeamento prévio de todas as contas é etapa indispensável.
Transferências internas não identificadas
Movimentos entre contas da mesma titularidade aparecem como divergência dos dois lados se não forem pareados.
Divergências apresentadas sem separação de natureza
Movimento sem registro e registro sem movimento apontam para problemas diferentes. Somá-los perde a informação mais relevante.
Documentos que sustentam o trabalho
- Extratos bancários completos, de todas as contas e sem interrupção de período
- Razão analítico das contas bancárias na escrituração
- Escrituração contábil digital do período
- Comprovantes de transferências entre contas próprias
- Documentos de suporte dos movimentos relevantes: notas, contratos, recibos
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Conciliação por movimento — cada lançamento pareado ou identificado como divergente
- Quadro de movimentos sem registro — com data, valor e contraparte
- Quadro de registros sem movimento — com o lançamento e o período
- Consolidação por período — valor das divergências por mês e por exercício
Perguntas frequentes
Por que os extratos precisam ser completos?+
Porque a conciliação é por movimento. Um período faltante impede o pareamento dos lançamentos daquele intervalo e, frequentemente, dos períodos adjacentes — movimentos com liquidação em datas próximas ficam sem correspondência.
A conciliação serve como prova de desvio?+
Serve como base fática. Ela demonstra objetivamente quais movimentos ocorreram sem registro e quais registros não têm lastro. A qualificação jurídica desses fatos é do advogado; o que entregamos é o levantamento com documento e data.
Vocês processam grande volume de extratos?+
Sim. Volumes elevados são tratados por processamento estruturado dos arquivos, o que permite conciliar períodos longos com muitas contas sem depender de conferência manual movimento a movimento.