Índices de liquidez, de solvência e de geração operacional são úteis quando os saldos que os compõem têm lastro. Quando não têm — estoque supervalorizado, recebível incobrável mantido no ativo, provisão não constituída — o índice apenas repete a distorção com aparência de objetividade.
Por isso a análise não começa pelo cálculo. Começa pela crítica dos componentes: cada saldo relevante é verificado quanto à sua recuperabilidade e ao seu lastro documental. Só depois os indicadores são apurados, e são apresentados em duas versões — como declarado e como ajustado.
Como o cálculo é feito
Crítica dos saldos componentes
Verificação da recuperabilidade dos recebíveis, da realização dos estoques e da completude dos passivos registrados.
Ajuste dos componentes
Reclassificação e ajuste dos saldos que não se sustentam, com o fundamento de cada ajuste declarado.
Cálculo dos indicadores de liquidez
Índices corrente, seca e imediata, apurados nas duas versões — declarada e ajustada.
Análise de solvência
Verificação da capacidade de honrar o passivo total com os ativos existentes, considerando prazos e realizabilidade.
Apuração do EBITDA
Cálculo a partir do resultado operacional, com cada exclusão identificada e os itens não recorrentes segregados.
Análise da evolução
Comparação entre períodos, com identificação das tendências e dos pontos de inflexão.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Indicador calculado sem crítica dos componentes
Repete a distorção do balanço com aparência de medida objetiva. É o erro estrutural desta análise.
EBITDA usado como proxy de caixa
A geração operacional não considera investimento, capital de giro nem serviço da dívida. Tratá-la como caixa disponível é distorção frequente.
Itens não recorrentes mantidos no EBITDA
Ganhos e perdas atípicos precisam ser segregados, sob pena de o indicador não representar a capacidade recorrente.
Indicadores comparados entre setores distintos
Padrões de liquidez variam muito por atividade. Comparação sem referência setorial adequada leva a conclusão errada.
Documentos que sustentam o trabalho
- Demonstrações contábeis e balancetes de todos os períodos
- Razão analítico das contas de ativo e passivo relevantes
- Relatório de contas a receber com posição por vencimento e histórico de perdas
- Relatórios de estoque com giro e itens obsoletos identificados
- Contratos de dívida, com cronograma de vencimentos e garantias
- Notas explicativas e informações sobre contingências
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Crítica dos componentes — cada saldo relevante com a sua avaliação de lastro
- Indicadores em duas versões — como declarado e como ajustado, lado a lado
- EBITDA com abertura — cada exclusão identificada e os não recorrentes segregados
- Análise de evolução — tendência entre períodos, com os pontos de inflexão
Perguntas frequentes
Por que apresentar os indicadores em duas versões?+
Porque a diferença entre eles é a informação mais relevante. O índice declarado mostra o que a contabilidade afirma; o ajustado mostra o que os saldos sustentam. A distância entre os dois é o que a análise entrega.
EBITDA alto significa saúde financeira?+
Não necessariamente. O indicador mede geração operacional antes de investimento, capital de giro e serviço da dívida. Empresas com EBITDA positivo e caixa insuficiente são comuns, e a análise de fluxo é o que revela essa situação.
A análise serve para avaliação de empresa?+
Serve como etapa preparatória. A crítica dos componentes e a normalização do resultado são exatamente o insumo de que os métodos de avaliação precisam para produzir resultado defensável.