Conflitos sobre distribuição de lucros costumam ter duas camadas. A primeira é a apuração: se o resultado distribuível foi corretamente determinado, sem despesas alheias à operação reduzindo a base. A segunda é a distribuição efetiva: se o que cada sócio recebeu, por todas as vias, corresponde à sua participação.

A segunda camada é a mais frequente e a menos visível, porque os valores não saem como lucro. Saem como pró-labore desproporcional, reembolso de despesas, pagamento a empresas relacionadas ou uso de bens da sociedade. O trabalho consiste em consolidar todas as vias e comparar o total efetivamente apropriado por cada sócio.

Como o cálculo é feito

Reconstrução do resultado distribuível

Apuração do lucro de cada exercício, com identificação de despesas alheias à operação que reduziram a base.

Levantamento das distribuições formais

Valores distribuídos como lucro a cada sócio, por exercício, conforme os registros.

Mapeamento das demais vias de apropriação

Pró-labore, reembolsos, adiantamentos, pagamentos a partes relacionadas e uso de bens da sociedade.

Consolidação por sócio

Total efetivamente apropriado por cada um, por todas as vias, em cada exercício.

Confronto com a participação

Comparação entre o apropriado e o que a participação societária justificaria, com a diferença isolada.

Atualização das diferenças

Correção de cada diferença a partir da data em que a apropriação ocorreu.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Análise limitada às distribuições formais

Deixa de fora justamente as vias por onde a desproporção costuma ocorrer. É a limitação mais comum nesta análise.

Pró-labore não comparado a valor de mercado

Remuneração muito acima do mercado é distribuição disfarçada e precisa ser identificada como tal, com o parâmetro declarado.

Despesas pessoais não segregadas

Gastos particulares lançados como despesa da sociedade reduzem o lucro distribuível e beneficiam quem os realizou.

Partes relacionadas não mapeadas

Pagamentos a empresas ligadas a um dos sócios são via frequente de apropriação e exigem verificação de contrapartida efetiva.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Como se identifica distribuição disfarçada?+

Consolidando tudo o que cada sócio recebeu da sociedade por qualquer via e comparando com a sua participação. Pró-labore desproporcional, reembolsos sem lastro e pagamentos a empresas ligadas aparecem nessa consolidação, ainda que cada um isoladamente pareça regular.

Despesas pessoais na empresa afetam o outro sócio?+

Afetam diretamente: reduzem o lucro distribuível e, portanto, o que caberia a cada um. O trabalho identifica e quantifica esses lançamentos, com o documento de suporte de cada um.

Serve para ação de prestação de contas entre sócios?+

Serve, e é um dos usos mais frequentes. A consolidação por sócio, com cada apropriação datada e documentada, é exatamente a base fática de que esse tipo de ação precisa.