Quando uma empresa produz retorno acima do que os seus ativos identificáveis justificariam, esse excedente tem valor econômico — carteira de clientes, reputação, localização, organização. É o que se costuma chamar de fundo de comércio ou goodwill, e a sua inclusão ou exclusão é frequentemente o ponto de maior valor em disputas societárias.
A dificuldade é que ele não se mede diretamente. Mede-se por diferença: apura-se a rentabilidade efetiva, apura-se o retorno que os ativos identificáveis explicariam, e o excedente recorrente é o objeto da mensuração. Cada etapa precisa estar demonstrada, porque é uma construção, não uma leitura.
Como o cálculo é feito
Normalização do resultado
Ajuste de eventos não recorrentes, remuneração de sócios a valor de mercado e despesas alheias à operação.
Apuração da rentabilidade recorrente
Resultado normalizado ao longo de vários exercícios, para isolar o desempenho sustentável do eventual.
Avaliação dos ativos identificáveis
Determinação do valor dos ativos tangíveis e intangíveis identificáveis, a valor real na data-base.
Cálculo do retorno esperado dos ativos
Retorno que os ativos identificáveis justificariam, com a taxa de referência declarada e fundamentada.
Apuração do excedente
Diferença entre a rentabilidade efetiva recorrente e o retorno esperado dos ativos, período a período.
Capitalização do excedente
Conversão do excedente recorrente em valor, com o critério e o horizonte declarados e a sensibilidade demonstrada.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Goodwill afirmado sem mensuração por diferença
Atribuir valor ao fundo de comércio sem demonstrar o excedente de rentabilidade é afirmação, não avaliação.
Remuneração de sócios não normalizada
Pró-labore muito acima ou abaixo do mercado distorce o resultado e, com ele, todo o excedente apurado.
Resultado de um único exercício usado como recorrente
Excedente precisa ser sustentável. Um exercício atípico produz valor que não se confirma.
Horizonte de capitalização não declarado
O valor depende diretamente do horizonte adotado. Omiti-lo impede a conferência e o torna arbitrário.
Documentos que sustentam o trabalho
- Demonstrações contábeis de vários exercícios consecutivos
- Escrituração contábil e razão analítico
- Relação de bens e laudos de avaliação de ativos, quando houver
- Contratos de clientes recorrentes e informações sobre a carteira
- Contrato social e acordo de sócios, com as cláusulas sobre intangíveis
- Informações setoriais para referência de retorno
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Resultado normalizado — com cada ajuste identificado e fundamentado
- Avaliação dos ativos identificáveis — a valor real, com o critério de cada rubrica
- Apuração do excedente — rentabilidade efetiva contra retorno esperado, por período
- Mensuração do goodwill — com horizonte, critério e análise de sensibilidade declarados
Perguntas frequentes
Fundo de comércio entra na apuração de haveres?+
Depende do contrato social e da natureza da sociedade, e a questão é jurídica. Nosso papel é mensurá-lo com metodologia demonstrada, para que a hipótese de inclusão possa ser sustentada com valor apurado — e a de exclusão, com o valor que se está deixando de fora.
Como se separa o goodwill do valor dos ativos?+
Por diferença: apura-se o retorno que os ativos identificáveis justificariam, sob taxa declarada, e compara-se com a rentabilidade efetiva recorrente. O excedente é o que os ativos não explicam, e é ele que se capitaliza.
Empresa com resultado irregular pode ter goodwill mensurado?+
Pode, com ressalvas que precisam constar do laudo. Sem rentabilidade recorrente demonstrável, o excedente não é sustentável e a mensuração fica frágil — o que dizemos com clareza quando é o caso.