Quantificar uma perda é responder a três perguntas em ordem: existe diferença, de quanto ela é, e o que a documentação permite afirmar sobre a sua origem. Inverter essa ordem — partir da conclusão e buscar números que a confirmem — produz levantamento que não resiste ao contraditório.

A disciplina central do trabalho é a separação. O que tem explicação documental sai do número; o que depende de premissa vai identificado como premissa; o que a documentação apenas sugere é apresentado como sugestão, não como demonstração. Um valor menor e sustentável vale mais no processo que um valor grande e frágil.

Como o cálculo é feito

Delimitação do objeto e do período

O que se quantifica, em qual intervalo e sobre quais bases, definido antes de qualquer apuração.

Construção da posição esperada

Reconstrução do que deveria existir segundo os registros e a documentação disponível.

Confronto com a posição efetiva

Comparação com o que efetivamente existe ou existiu, apurada por fonte independente.

Segregação do explicável

Retirada, do valor apurado, de tudo o que encontra justificativa documental, com o motivo registrado.

Teste de resistência

Submissão do resultado à crítica adversa: o que não sobreviveria a uma conferência externa é retirado ou reclassificado.

Delimitação probatória

Registro explícito do que o laudo demonstra, do que sugere e do que está fora do seu alcance.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Valor inflado por itens explicáveis

Incluir na perda o que tem justificativa expõe o levantamento inteiro: a defesa demonstra um item e lança dúvida sobre todos.

Premissa apresentada como apuração

Onde há estimativa, o laudo precisa dizer que há. Apresentar premissa como fato é o que mais compromete a credibilidade técnica.

Levantamento orientado por hipótese

Investigação que parte da conclusão encontra o que procura e não resiste à crítica metodológica.

Alcance probatório não delimitado

Sem dizer o que não demonstra, o laudo sugere provar mais do que prova — e perde valor quando isso é apontado.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

Por que retirar do valor o que tem explicação?+

Porque o levantamento será conferido. Um único item explicável incluído na conta permite que a defesa demonstre o erro e questione todo o restante. O número apresentado precisa ser aquele que resiste integralmente à conferência.

Um valor menor não enfraquece o pedido?+

Enfraquece menos que um valor grande e contestável. Na prática, um número sustentável em todos os seus componentes tende a ser acolhido integralmente; um número inflado tende a ser reduzido por inteiro, junto com a credibilidade do laudo.

O laudo aponta responsável?+

Demonstra a diferença, a sua origem documental e os padrões identificados, inclusive quando envolvem alçadas de aprovação. A atribuição de autoria é conclusão jurídica construída com o conjunto probatório, do qual o laudo é uma peça.