Sistemas de gestão produzem uma trilha de movimentação que pode ser analisada integralmente, e não por amostra. Cada entrada, saída, transferência e ajuste fica registrado com data, quantidade, valor e, frequentemente, usuário — o que permite testes de consistência que a conferência manual não alcança.

Aplicada a estoques, essa análise responde a uma pergunta objetiva: a variação entre a posição inicial e a final é explicada pela movimentação registrada. O trecho não explicado é o achado, e a sua distribuição — por item, por período, por usuário — costuma indicar a natureza do problema.

Como o cálculo é feito

Extração da base de movimentação

Todos os movimentos do sistema no período, estruturados por item, data, quantidade, valor e tipo de operação.

Teste de consistência aritmética

Verificação de que posição inicial mais entradas menos saídas resulta na posição final, item a item.

Análise dos ajustes manuais

Identificação e exame dos lançamentos de ajuste, que são a via por onde diferenças costumam ser absorvidas.

Confronto com documentos fiscais

Comparação entre a movimentação do sistema e as notas fiscais de entrada e de saída do período.

Confronto com a existência física

Comparação com os inventários realizados, quando houver, com a diferença apurada em quantidade e em valor.

Análise de distribuição

Verificação da concentração das diferenças por item, período, local ou usuário, para orientar a conclusão.

Onde este cálculo costuma errar

São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.

Análise apenas em valor

Variação de preço se confunde com variação física. A apuração precisa ser em quantidade e em valor separadamente.

Ajustes manuais não examinados

É por onde as diferenças são absorvidas. Deixá-los fora do escopo esvazia a auditoria.

Sistema confrontado apenas consigo mesmo

A consistência interna não garante correspondência com a realidade. O confronto com documentos fiscais e com inventário é indispensável.

Perdas normais não parametrizadas

Quebras e perdas próprias da atividade precisam de parâmetro declarado, sob pena de gerar diferença aparente.

Documentos que sustentam o trabalho

A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.

O que você recebe

Perguntas frequentes

É possível analisar todos os movimentos, sem amostra?+

É, quando a base do sistema está disponível em formato de dados. A análise integral é preferível à amostral porque permite localizar concentrações e padrões que a amostra, por definição, pode não capturar.

Ajustes manuais são irregulares?+

Não por si. Existem ajustes legítimos, decorrentes de inventário e de correção de erro. O que a auditoria verifica é se cada ajuste tem justificativa documentada e se a sua distribuição — frequência, valor, responsável — segue um padrão explicável.

E se a empresa não tem inventário físico formal?+

A análise se concentra na consistência da movimentação e no confronto com os documentos fiscais, que já revela inconsistências relevantes. A comparação com a existência física, porém, depende de algum levantamento — e a sua ausência fica registrada como limitação.