Contratos frequentemente estabelecem regimes de correção e juros que não correspondem a nenhum padrão: periodicidades irregulares, carências, taxas escalonadas por faixa de atraso, regimes mistos que mudam ao longo do prazo, capitalização em intervalos atípicos.
Aplicar corretamente esses critérios exige abandonar a fórmula fechada e montar a série período a período, seguindo exatamente a redação do instrumento. É mais trabalhoso e é a única forma de produzir um resultado que corresponda ao que as partes pactuaram.
Como o cálculo é feito
Extração integral das cláusulas
Todas as disposições sobre correção, juros, multa, encargos de atraso e as suas condições de incidência.
Mapeamento dos regimes por trecho
Identificação de qual regra vale em cada período do contrato, incluindo mudanças previstas ao longo do prazo.
Definição dos marcos
Termos iniciais de cada encargo, carências, datas de virada de faixa e de alteração de critério.
Montagem da série
Cálculo período a período conforme a regra vigente em cada trecho, com base, taxa e resultado visíveis.
Tratamento dos eventos intermediários
Pagamentos, aportes e renegociações lançados na data efetiva, com o seu efeito sobre a base seguinte.
Conferência reversa
Reconstrução do resultado a partir do total, para verificar que cada linha reconduz à sua origem.
Onde este cálculo costuma errar
São os pontos que mais geram impugnação — e os que conferimos primeiro quando a planilha vem pronta da parte contrária.
Fórmula fechada aplicada a regime irregular
Produz resultado aproximado que não corresponde ao contrato e é desmontado por quem refizer período a período.
Mudança de regime no meio do prazo ignorada
Contratos com regras que se alteram exigem trechos distintos, com a data de virada visível.
Escalonamento por faixa de atraso não aplicado
Quando a taxa varia conforme o tempo de inadimplência, cada faixa precisa do seu tratamento.
Carência tratada como ausência de encargo
Período de carência normalmente difere ou incorpora o encargo. Zerá-lo subestima o resultado.
Documentos que sustentam o trabalho
- Contrato e aditivos, com a redação integral das cláusulas de encargos
- Documentos que fixem a base de cálculo e as datas relevantes
- Comprovantes de todos os pagamentos e movimentos intermediários
- Termos de renegociação, quando houver alteração de critério
- Planilhas apresentadas pela parte contrária, para confronto
A falta de qualquer um deles não impede o trabalho: fica registrada no laudo, com a indicação do que foi usado em substituição e do que, por consequência, não pode ser afirmado.
O que você recebe
- Mapa de regimes — qual regra vale em cada trecho, com as datas de transição
- Série período a período — base, taxa aplicada e resultado em cada linha
- Tratamento dos eventos — cada pagamento ou aporte na data efetiva
- Conferência reversa — validação de que cada linha reconduz à sua origem
Perguntas frequentes
Por que não usar uma fórmula fechada?+
Porque ela pressupõe regularidade que o contrato não tem. Aplicada a um regime com carência, escalonamento ou mudança de critério, produz um resultado próximo o bastante para parecer certo e distinto o bastante para ser contestado com sucesso.
Taxa escalonada por tempo de atraso como se aplica?+
Cada faixa recebe o seu tratamento no período correspondente, com a data de virada visível na planilha. A aplicação de uma taxa única a todo o atraso é erro que altera o resultado de forma relevante em inadimplências longas.
O contrato tem cláusula de difícil interpretação. E aí?+
Declaramos as leituras possíveis e apresentamos o cálculo em cada uma, com a diferença explícita. A escolha é do advogado, e é preferível que ela seja feita sabendo o valor de cada alternativa.